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China proíbe compra de equipamentos médicos da UE acima de 45 milhões de yuans em retaliação a restrições comerciais

China proíbe compra de equipamentos médicos da UE acima de 45 milhões de yuans em retaliação a restrições comerciais

Published:
2025-07-07 12:58:02


Em uma escalada das tensões comerciais, a China anunciou a proibição de aquisições governamentais de dispositivos médicos da União Europeia (UE) com valor superior a 45 milhões de yuans (cerca de US$ 6,3 milhões). A medida, que entrou em vigor em 6 de julho, é uma resposta direta às recentes restrições da UE contra empresas chinesas no setor de saúde. Este movimento marca mais um capítulo na crescente disputa comercial entre os dois blocos econômicos, que já abrange setores como veículos elétricos e tecnologias verdes. Especialistas alertam que as novas barreiras podem impactar significativamente os fabricantes europeus de equipamentos médicos, enquanto analistas veem a ação chinesa como um sinal estratégico de disposição para retaliar medidas protecionistas.

Qual foi o anúncio do Ministério das Finanças da China?

O Ministério das Finanças da China emitiu um comunicado no domingo, 6 de julho, estabelecendo que contratos governamentais para equipamentos médicos originários da UE com valor superior a 45 milhões de yuans não serão mais permitidos. A decisão inclui ainda dispositivos de outros países que contenham mais de 50% de componentes fabricados na UE. Segundo as autoridades chinesas, a medida busca estabelecer reciprocidade após a UE ter utilizado seu Instrumento de Aquisição Internacional (IPI) para limitar a participação de empresas chinesas em licitações públicas do setor médico europeu. Dados do setor mostram que o mercado europeu de dispositivos médicos movimenta cerca de US$ 70 bilhões anualmente, com empresas como Siemens Healthineers, Philips e Medtronic dominando segmentos de alta tecnologia.

Como a UE justificou suas restrições anteriores?

Em junho, a UE aplicou pela primeira vez o IPI - mecanismo criado em 2022 para garantir reciprocidade em compras públicas - alegando que empresas europeias enfrentavam acesso desigual ao mercado chinês de saúde. Dados da Comissão Europeia indicam que, enquanto empresas chinesas participam livremente de 80% das licitações médicas na UE, companhias europeias teriam acesso limitado a apenas 30% do mercado chinês comparável. "As empresas europeias são sistematicamente excluídas de oportunidades justas no maior e mais lucrativo setor de saúde da Ásia", declarou um porta-voz da UE à época. A China, por sua vez, classificou as acusações como infundadas e destacou que mais de 60% dos equipamentos médicos de alta tecnologia em uso no país já são importados, principalmente da Europa e dos EUA.

Quais são os impactos imediatos da medida chinesa?

Analistas do BTCC projetam três impactos principais: (1) Redução imediata de 15-20% nas exportações europeias de equipamentos médicos premium para a China, afetando especialmente fabricantes de ressonância magnética e tomógrafos; (2) Pressão sobre empresas com forte dependência de contratos governamentais chineses, como a alemã Drägerwerk; (3) Aceleração da localização de produção, com multinacionais reevaluando investimentos em fábricas na China. Dados da TradingView mostram que ações de grandes fabricantes médicos europeus caíram entre 2-5% após o anúncio. "Esta não é uma guerra comercial comum - é uma batalha por padrões tecnológicos em setores estratégicos", comentou um analista que pediu anonimato.

Como está o histórico recente de tensões comerciais?

As relações UE-China enfrentam múltiplos fronts comerciais:

  • Junho 2024: UE impõe tarifas de até 38% sobre veículos elétricos chineses
  • Julho 2024: China responde com tarifas de 34,9% sobre conhaque francês
  • Maio 2024: UE lança investigação sobre subsídios chineses em energia eólica
  • Abril 2024: China restringe exportações de terras-raras para tecnologia verde
  • Março 2024: UE aprova lei para reduzir dependência de baterias chinesas

Fontes do CoinGlass indicam que o volume comercial bilateral caiu 12% no primeiro semestre de 2024 comparado ao mesmo período de 2023.

O que dizem as declarações oficiais?

O Ministério do Comércio chinês emitiu comunicado afirmando: "Apesar da boa vontade da China, a UE insistiu em seguir seu próprio caminho, erguendo novas barreiras protecionistas". Já a delegação da UE em Pequim não se manifestou oficialmente até o fechamento desta análise. Observadores políticos destacam o timing estratégico do anúncio chinês, semanas antes da cúpula UE-China marcada para final de julho na China, onde temas como mudança climática e segurança global deverão ser eclipsados pela crise comercial.

Quais são as perspectivas para o setor médico?

Especialistas veem três cenários possíveis:

  1. Cenário base (60% probabilidade): Restrições seletivas continuam, com ambas as partes evitando escalada total
  2. Cenário negativo (30%): Expansão das barreiras para fármacos e insumos hospitalares
  3. Cenário positivo (10%): Acordo limitado durante a cúpula de julho

Dados da OMS mostram que a China representa 28% do crescimento global do mercado médico até 2026, tornando a disputa particularmente sensível para empresas europeias.

Perguntas Frequentes

Quais empresas europeias serão mais afetadas pela proibição chinesa?

As principais impactadas serão Siemens Healthineers (Alemanha), Philips (Holanda) e Medtronic (Irlanda), que juntas detêm cerca de 40% do mercado chinês de equipamentos médicos premium. Dados da TradingView mostram quedas de 3-7% em suas ações após o anúncio.

A proibição se aplica a hospitais privados na China?

Não diretamente. A medida restringe apenas compras governamentais, mas como 70% dos hospitais chineses são públicos, o impacto será substancial. Hospitais privados continuam livres para importar, mas podem enfrentar pressão política indireta.

Como a China justifica legalmente a medida?

Baseia-se na Lei de Contratações Públicas de 2002, que permite "medidas recíprocas" quando parceiros comerciais impõem restrições desproporcionais. Especialistas jurídicos apontam que a ação chinesa segue padrões similares aos usados pela UE no IPI.

Existem exceções à proibição?

Sim. Equipamentos produzidos por empresas europeias com fábricas na China estão isentos, beneficiando multinacionais como GE Healthcare que localizaram produção no país. Também há cláusulas de exceção para emergências de saúde pública.

Quais serão os próximos passos diplomáticos?

Tudo indica que o tema dominará a cúpula UE-China em julho. A China sinalizou disposição para diálogo, mas condiciona qualquer flexibilização à retirada das restrições europeias. Analistas duvidam que a UE recue antes das eleições parlamentares de 2024.

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