Nokia faz aposta bilionária: investe pesado em infraestrutura de IA e aposta no futuro da Nvidia
Nokia coloca suas fichas no tabuleiro da inteligência artificial com investimento massivo em infraestrutura — e aposta que a Nvidia continuará dominando o jogo.
O movimento estratégico
A gigante das telecomunicações está realocando capital de setores tradicionais para construir data centers de próxima geração. Não se trata apenas de comprar GPUs — é sobre criar a espinha dorsal que alimentará a próxima década de inovações em IA.
Infraestrutura como vantagem competitiva
Enquanto startups queimam capital em modelos de linguagem, a Nokia aposta no concreto digital: servidores, redes de alta velocidade, sistemas de refrigeração. A lógica? Não importa qual algoritmo vença — todos precisarão de hardware para rodar.
A aposta na Nvidia
O investimento assume que o domínio da Nvidia em chips de IA permanecerá incontestável até 2026. Uma posição arriscada considerando a corrida armamentista entre EUA, China e Europa por alternativas soberanas.
O cálculo financeiro
Analistas questionam o timing — entrar no pico da euforia por IA lembra aqueles que compraram ações de telecomunicações em 1999. Mas a Nokia parece confiante que está comprando o pico, não o pico.
Impacto no setor
O movimento pressiona rivais como Ericsson e Huawei a responderem com investimentos próprios. A infraestrutura de IA está se tornando o novo campo de batalha das telecomunicações — onde os vencedores construirão não apenas redes, mas os cérebros digitais do futuro.
O fechamento irônico: Enquanto criptomoedas ainda buscam casos de uso além da especulação, a Nokia lembra que a verdadeira revolução digital acontece onde os cabos se encontram com os chips — e onde os lucros são tão reais quanto o consumo energético.
O colapso do mercado de telefonia móvel redefiniu os negócios
A queda ocorreu após anos de domínio. Em 2000, a Nokia detinha 26,4% do mercado global de celulares, segundo dados da CCS Insight. No auge da bolha da internet, seu valor de mercado era de cerca de € 286 bilhões e representava quase 4% do PIB da Finlândia.
A empresa vendeu 126 milhões de unidades do 3310. As pessoas o chamavam de "tijolo". O telefone vinha com o jogo Snake, que mantinha os usuários vidrados nas pequenas telas.
Jorma Ollila, diretor executivo de 1992 a 2006, afirmou que os telefones celulares venceram porque os profissionais de marketing comandavam o negócio, enquanto os concorrentes se concentravam na tecnologia bruta. Ele disse que a confiança dentro da empresa era profunda e que o mercado de celulares acabou sendo muito maior do que o esperado.
Essa crença não a salvou mais tarde. Quando a Apple lançou o iPhone em 2007, a mudança foi drástica. Ben Harwood, da New Street Research, afirmou que a empresa resistiu à mudança, agiu com muita lentidão e não conseguiu reconstruir seu software para competir com o iOS e o Android.
Uma aposta arriscada de última hora se seguiu. Em 2011, a empresa adotou o sistema Windows Phone da Microsoft e lançou os dispositivos Lumia. Os telefones fracassaram. Ben Wood, da CCS Insight, considerou a mudança um prego no caixão.
Em 2014, a Nokia vendeu sua unidade de dispositivos e serviços para a Microsoft por € 5,4 bilhões. A receita havia caído de € 37,7 bilhões em 2007 para € 10,7 bilhões. Em 2008, Wood afirmou que a empresa detinha cerca de 40% do mercado global e jamais imaginou o colapso que se seguiu.
Acordos de rede substituíram os sonhos de ter um celular
Após abandonar o mercado de telefones, a Nokia voltou-se para a infraestrutura de telecomunicações. Governos expressaram preocupações de segurança em relação aos fornecedores chineses, mas as operadoras europeias ainda assim concederam grandestrac. BT, Telefónica e Deutsche Telekom fecharam acordos.
Ainda assim, a participação de mercado nas redes de acesso via rádio continuou a cair. Os gráficos tracos gastos mostraram um declínio constante, aumentando a pressão sobre o negócio principal.
Uma segunda mudança estratégica ocorreu sob a gestão de Pekka Lundmark. A empresa aprofundou-se em serviços de nuvem, data centers e redes ópticas. Em fevereiro, adquiriu a Infinera por US$ 2,3 bilhões para expandir seu alcance no setor óptico.
Shaz Ansari, professor da Universidade de Cambridge, afirmou que a capacidade de se reinventar vem de como uma empresa lida com o fracasso e realoca recursos. Ele disse que a empresa corta negócios quando eles falham e pode migrar entre setores, não apenas entre produtos.
Lundmark deixou o cargo em abril. Justin Hotard assumiu a liderança e mirou no superciclo da IA . A estratégia se concentra em equipamentos ópticos que transferem dados entre centros e roteadores que suportam serviços em nuvem. O interesse da Nvidia chamou a atenção rapidamente. Os investidores viram a parceria como uma porta de entrada para os gastos com IA, que chegam a centenas de bilhões de dólares anualmente.
Essa nova abordagem não vem sem resistência. Analistas apontaram riscos associados ao ritmo instável dos investimentos em IA.
Concorrentes como Ciena e Cisco disputam os mesmos orçamentos. Paolo Pescatore, da PP Foresight, afirmou que ainda existem preocupações quanto aos retornos futuros, citando a relutância dos clientes em depender de um único fornecedor.
Hotard rejeitou a ideia de um caminho reto. Ele disse que a sobrevivência raramente segue uma linha clara e exige mudanças constantes.
Hoje, a Nokia enfrenta um mercado concorrido, ciclos de gastos voláteis e expectativas impulsionadas pelo apoio da Nvidia. A estratégia coloca a empresa no setor tecnológico mais promissor, mas a popularidade não garante segurança.
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