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Suprema Corte pode obrigar EUA a devolver US$ 165 bilhões em tarifas da era Trump em 2025

Suprema Corte pode obrigar EUA a devolver US$ 165 bilhões em tarifas da era Trump em 2025

Published:
2025-10-07 09:09:01


Em um cenário que pode abalar as finanças públicas e o comércio internacional, a Suprema Corte dos EUA decidirá em novembro se o governo terá que reembolsar US$ 165 bilhões em tarifas impostas durante o governo Trump. Empresas importadoras, já afetadas pela volatilidade da guerra comercial, agora enfrentam um labirinto burocrático para recuperar valores pagos — com especialistas alertando para possíveis fraudes, disputas judiciais e um sistema de reembolso obsoleto baseado em cheques de papel.

O que está em jogo na decisão da Suprema Corte?

A batalha legal gira em torno da autoridade do ex-presidente Donald Trump para impor tarifas sob a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA). Dois tribunais inferiores já consideraram essas tarifas ilegais, e se a Suprema Corte confirmar a decisão, metade dos US$ 95 bilhões arrecadados em 2024 poderá ser devolvida. O governo Biden, porém, já sinalizou que recorrerá a outros mecanismos legais para manter barreiras comerciais caso perca o caso.

Por que as empresas temem o caos nos reembolsos?

O sistema atual de reembolsos da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) é lento e vulnerável. Harley Sitner, dono da Peace Vans em Seattle, exemplifica o desgaste: "Paguei tarifas de US$ 1.164 em uma remessa de US$ 2.324 da Alemanha. Agora, ter zero fé em receber algo de volta". Com prazos confusos e a necessidade de apresentar documentação manual, muitos importadores estão vendendo seus créditos a fundos de Wall Street por frações do valor — um mercado paralelo que cresce na sombra da incerteza.

Quais são os riscos do sistema de cheques em papel?

Apesar de uma ordem para modernizar os pagamentos até setembro de 2025, a CBP mal começou a transição. Tom Gould, consultor aduaneiro, prevê: "Veremos milhões de cheques postais, um para cada entrada alfandegária". O método é arcaico e perigoso: cheques já foram roubados e vendidos na dark web antes do saque. Importadores estrangeiros enfrentam obstáculos adicionais, precisando depender de correspondência internacional ou contas de intermediários nos EUA.

Como o governo poderia agilizar os reembolsos?

Especialistas sugerem que a CBP use dados existentes do Sistema Automatizado de Comércio (ACE) para processar reembolsos automaticamente, como já fez com o programa de Preferências Generalizadas (GSP). Porém, há temores de que a administração exija protestos individuais com comprovantes de cada pagamento — o que levaria a uma enxurrada de ações judiciais. A EY recomenda que empresas armazenem todos os registros da ACE e monitorem prazos rigorosamente.

Quem realmente receberá o dinheiro?

Aqui surge outro problema: quando transportadoras como FedEx ou UPS são as "importadoras oficiais", os reembolsos vão para elas — não para os donos das mercadorias. Isso pode gerar disputas entre varejistas e operadoras logísticas, adiando ainda mais a devolução dos valores. Algumas empresas já estão renegociando contratos para garantir direitos futuros, mas para muitas, o dano já está feito.

Qual o impacto nas contas públicas?

Mesmo com os bilhões em tarifas, o déficit fiscal dos EUA atingiu US$ 1,97 trilhão até agosto de 2025 — o terceiro maior da história para o período. Devolver US$ 165 bilhões agravaria a situação, embora parte do valor já tenha sido direcionada para auxílios a agricultores e redução da dívida durante o governo Trump. Economistas alertam que o cenário pode pressionar ainda mais o dólar e os mercados globais.

Perguntas Frequentes

Quanto tempo levará para as empresas receberem reembolsos?

Se a Suprema Corte decidir a favor dos importadores em novembro, especialistas estimam que o processo pode levar de 6 meses a 2 anos, dependendo da eficiência da CBP em implementar um sistema automatizado.

As tarifas podem ser reinstituídas?

Sim. Analistas do BTCC observam que o governo Biden já estuda usar outras leis comerciais, como a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, para reimpor barreiras sem depender da IEEPA.

Como pequenas empresas podem se preparar?

Documente todos os pagamentos de tarifas, registros da ACE e datas de importação. Considere consultar um especialista em comércio exterior para protocolar reclamações preventivas junto à CBP.

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