FMI soa o alarme: Stablecoins ameaçam desestabilizar a economia global em 2025
O aviso veio direto do coração do sistema financeiro tradicional—e ecoa como um sinal de alerta para todos os mercados.
Stablecoins não são mais apenas ferramentas de nicho. Elas movimentam trilhões, desafiando mecanismos de controle monetário e expondo falhas na regulação global.
Bancos centrais perdem o sono. A capacidade desses ativos digitais de circular sem fronteiras—e sem intermediários—cria brechas sistêmicas que ninguém sabe como fechar.
Enquanto isso, governos tentam correr atrás do prejuízo. Mas a tecnologia avança mais rápido que a burocracia—como sempre.
Será que o sistema financeiro tradicional finalmente entendeu que está jogando xadrez com quem já mestrou o jogo?
O Fundo Monetário Internacional (FMI) publicou um relatório que reacende o debate sobre os riscos associados ao uso crescente das stablecoins no sistema financeiro global. A instituição alerta que, apesar de oferecerem eficiência em pagamentos internacionais, essas moedas digitais podem fragilizar bancos. Além de ampliar a dependência do dólar e gerar vulnerabilidades macroeconômicas significativas.
De acordo com a professora Hélène Rey, da London Business School, o avanço das stablecoins pode acelerar a dolarização de economias emergentes e reduzir a capacidade de bancos centrais influenciarem juros, inflação e liquidez. Para ela, se governos perderem controle sobre a política monetária, os países ficarão mais expostos às decisões econômicas dos Estados Unidos.
PublicidadeA especialista afirma que o uso massivo dessas moedas pode se transformar em um fator de instabilidade financeira no médio prazo.
Os números confirmam a força crescente desse mercado. O valor total das stablecoins já alcança US$ 289 bilhões, com o Tether (USDT) dominando quase 59% desse volume, de acordo com dados da DeFi Llama. Embora milhões de pessoas usem esses ativos todos os dias para transferências rápidas e baratas, o FMI reforça que o mesmo mecanismo pode servir para práticas ilícitas, como lavagem de dinheiro e financiamento de atividades criminosas.
O pesquisador Yao Zeng, da Wharton School da Universidade da Pensilvânia, acrescenta outro ponto crítico. Para ele, as stablecoins funcionam bem em períodos de estabilidade, mas tendem a falhar sob pressão. Zeng lembra que os emissores desses ativos não são bancos tradicionais e, portanto, contam com menos supervisão regulatória, o que amplia os riscos em cenários de estresse.
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Além disso, destaca que o uso de inteligência artificial e big data em fintechs que operam nesse setor pode afrouxar critérios de crédito e aumentar a exposição a crises.
Stablecoins e a economia global
O relatório também observa que governos e bancos centrais não ficaram parados. Países como a Índia já lançaram sistemas próprios de pagamentos instantâneos, como o Unified Payments Interface (UPI), que conecta milhares de instituições e processa bilhões de transações mensais. Esse exemplo mostra como soluções públicas podem competir com as stablecoins e garantir maior segurança ao ecossistema financeiro.
PublicidadeMesmo assim, os desafios permanecem. Pesquisadores do Banco de Pagos Internacionais (BIS) defendem que apenas políticas públicas proativas e regulações claras podem transformar a inovação em benefício real. Sem supervisão adequada, as stablecoins e outras ferramentas digitais podem desestabilizar os sistemas bancários ao invés de fortalecê-los.
O FMI conclui que a revolução nos meios de pagamento deve vir acompanhada de medidas que priorizem proteção ao consumidor, prevenção de crimes financeiros e estabilidade econômica. Do contrário, a expansão desenfreada das stablecoins pode gerar choques globais. Na América Latina, onde países como Argentina, Bolívia e Colômbia, por exemplo, já utilizam essas moedas para driblar restrições cambiais e acessar o dólar, o alerta do FMI ganha ainda mais relevância.
Assim, o avanço das stablecoins representa tanto uma oportunidade de inclusão financeira quanto uma ameaça de instabilidade. O relatório do FMI mostra que, sem coordenação entre reguladores e instituições, a promessa de eficiência pode se transformar em um risco sistêmico para a economia global.
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