China dá volta surpreendente e sinaliza abertura para stablecoins em 2025
O gigante asiático parece estar repensando sua posição rígida sobre criptomoedas.
Subheader: Mudança de rumo estratégico?
Após anos de proibições severas, fontes próximas ao governo chinês indicam que Pequim está considerando regulamentar—não banir—stablecoins atreladas ao dólar. O movimento surpreende mercados globais enquanto a China busca manter relevância na corrida financeira digital.
Subheader: O jogo geopolítico das criptomoedas
Analistas especulam que a flexibilização pode ser uma jogada para desafiar a hegemonia do Tether (USDT), enquanto o yuan digital patina na adoção internacional. Bancos estatais já estariam testando infraestrutura para interoperabilidade com USDC e DAI.
Closer: A ironia? O mesmo país que baniu miners agora quer uma fatia do mercado estável—desde que possa controlar os fluxos. Bem-vindo à criptoeconomia com características chinesas.
A China começou a sinalizar uma mudança em sua rígida política contra criptomoedas, especialmente no que diz respeito às stablecoins. A movimentação ganhou força após reuniões estratégicas realizadas em Xangai, uma das principais regiões econômicas do país.
Na quinta-feira (10), a Comissão de Supervisão e Administração de Ativos Estatais de Xangai (SASAC) organizou um encontro para discutir os impactos das moedas digitais. Em uma publicação oficial, o diretor da entidade, He Qing, destacou a importância de acompanhar com mais atenção as tecnologias emergentes e ampliar os estudos sobre moedas digitais e stablecoins.
Esse novo discurso contrasta com a postura adotada nos últimos anos, quando o governo chinês baniu exchanges, bloqueou mineração de Bitcoin e proibiu transações com criptoativos no continente. Agora, no entanto, autoridades e especialistas locais pressionam por uma abordagem mais flexível, principalmente no caso das stablecoins lastreadas no yuan.
A discussão sobre o tema ganhou ainda mais força após o próprio Banco Central da China (PBOC) reconhecer o potencial dessas moedas estáveis. Em junho, o presidente da instituição, Pan Gongsheng, afirmou que as stablecoins podem transformar os sistemas de pagamento globais e alertou para a necessidade de criar alternativas locais frente ao avanço de tokens como o USDC, lastreado em dólar.
China e stablecoins
Na prática, o governo chinês teme que o domínio de stablecoins norte-americanas amplifique ainda mais a influência do dólar no comércio internacional. Para evitar isso, empresas como JD.com e Ant Group têm apoiado o desenvolvimento de versões digitais do yuan para competir diretamente com as stablecoins ocidentais.
O jornal estatal Securities Times publicou recentemente que o país “precisa agir logo” na criação de sua própria stablecoin, reforçando a urgência de acompanhar o movimento global. A proposta mais concreta até agora envolve usar Hong Kong como laboratório para testar uma stablecoin atrelada ao yuan offshore.
De acordo com Huang Yiping, conselheiro do PBOC, Hong Kong oferece mais liberdade financeira por estar fora dos rígidos controles de capital do continente. Ele acredita que, se o mercado offshore se desenvolver, será possível lançar uma stablecoin baseada no yuan naquela região.