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Circle defende a lei GENIUS em 2025: «Mesmas regras para stablecoins, independentemente do emissor»

Circle defende a lei GENIUS em 2025: «Mesmas regras para stablecoins, independentemente do emissor»

Published:
2025-11-08 04:46:02


Em novembro de 2025, a Circle, emissora do USDC, apresentou ao Tesouro dos EUA suas recomendações para a implementação da histórica lei GENIUS – o primeiro marco regulatório federal para stablecoins de pagamento. O cerne da proposta? Um princípio simples: "mesma atividade, mesmas regras", aplicável a bancos, fintechs ou emissores estrangeiros que operem no mercado americano. A medida busca simplificar a adoção em massa desses ativos digitais enquanto equilibra inovação e segurança. Neste artigo, exploramos os detalhes do posicionamento da Circle, seus impactos no ecossistema cripto e os próximos passos regulatórios.

Por que a Circle está pressionando por regras simétricas para stablecoins?

A Circle não está sozinha nessa batalha. Desde 2023, gigantes como PayPal e Western Union vêm testando stablecoins para pagamentos transfronteiriços. Mas a diferença? Enquanto essas empresas operam sob licenças bancárias tradicionais, emissores de criptomoedas enfrentam um labirinto regulatório. A proposta da Circle elimina essa assimetria: se um USDC (da Circle) e um PayPal USD cumprirem os mesmos requisitos de reservas líquidas e transparência, deverão ter tratamento idêntico. "Não importa se você veste terno ou hoodie de crypto – o risco determina as regras", brincou um analista do BTCC em comentário ao CoinMarketCap.

Quais são os três pilares do framework proposto pela Circle?

Primeiro, reservas 100% líquidas e auditáveis mensalmente – nada de títulos duvidosos como no caso do colapso do TerraUSD em 2022. Segundo, supervisão conjunta entre o OCC (órgão bancário) e a SEC (mercados), evitando brechas. Terceiro, interoperabilidade técnica que não engesse inovações como smart contracts. "É a receita para transformar stablecoins em infraestrutura financeira padrão", defendeu o CEO da Circle em entrevista ao TradingView. Dados mostram que o USDC já responde por 28% das transações DeFi em 2025, segundo a CoinGecko.

Como a lei GENIUS pode mudar o jogo para comerciantes e investidores?

Para varejistas, a grande vantagem está nos custos. Pagamentos internacionais com stablecoins custam em média 0,1% contra 3-5% das remessas tradicionais. Já para treasurers corporativos, a novidade é a possibilidade de integrar USDC e similares aos sistemas de caixa – algo impensável quando esses ativos eram vistos como "cripto especulativa". Um relatório do FMI de agosto/2025 projeta que stablecoins regulados podem capturar 15% do mercado global de pagamentos B2B até 2027. Mas há desafios: o acesso indireto aos sistemas da Fed e o tratamento de emissores estrangeiros ainda precisam de clarificação.

Qual o cronograma para a implementação dessas regras?

O Tesouro deve publicar versões preliminares das regras até Q1 de 2026, com vigência total prevista para 2027. Enquanto isso, trabalha-se nos detalhes: quais ativos qualificam como reservas (Tesouro direto? Ouro digital?), frequência de relatórios e padrões para emissores globais. Curiosamente, o Canadá anunciou em outubro/2025 framework similar, sugerindo uma tendência regulatória hemisférica. "É como a padronização do Wi-Fi – sem isso, cada país inventa sua tomada e ninguém consegue conectar", comparou uma especialista citada pelo Financial Times.

O que diferencia a abordagem da Circle de outras gigantes tech?

Aqui está o pulo do gato: enquanto Meta (com seu falecido Libra) e Apple tentaram criar jardins murados, a Circle defende um ecossistema aberto. Seu argumento? Stablecoins são como dólares digitais – e moeda precisa ser neutra e acessível. "Não faz sentido a Visa ter regras diferentes da Coinbase se ambas movimentam o mesmo USDC", exemplificou o diretor de política da Circle em podcast do Bankless. Dados da Chainalysis mostram que 61% das empresas usando stablecoins em 2025 são PMEs, não tech giants.

Quais os riscos que persistem mesmo com a nova regulação?

Dois fantasmas assombram a festa: 1) A fragmentação internacional – um stablecoin aprovado nos EUA pode ser barrado na UE se as regras divergirem; 2) A "corrida ao fundo" onde emissores relaxam padrões para atrair volume. "Lembre-se do que aconteceu com os shadow banks em 2008", alertou ex-presidente do CFTC em evento do MIT. O próprio USDC sofreu um susto em março/2023 quando parte de suas reservas ficou presa no colapso do Silicon Valley Bank – episódio que acelerou os pedidos por regras claras.

Como ficam os emissores descentralizados nesse novo mundo?

Esse é o elefante na sala. DAOs que emitem stablecoins como DAI operam sem entidade legal clara – como aplicar regras bancárias a códigos autônomos? A Circle sugere um modelo híbrido: smart contracts precisariam de "curadores regulados" responsáveis por compliance, sem matar sua natureza algorítmica. "É como dar placa de carro a um veículo autônomo", brincou desenvolvedor da MakerDAO. Uma solução paliativa atual é stablecoins lastreados em outros stablecoins regulados (ex: DAI usando USDC como colateral), mas isso cria dependências sistêmicas.

Perguntas Frequentes sobre a Lei GENIUS e Stablecoins

O que é a lei GENIUS?

A lei GENIUS (sigla para "Global Economic Neutrality and Innovation Uniform Standards") é o primeiro marco regulatório federal dos EUA para stablecoins de pagamento, aprovado em setembro de 2025. Ela estabelece requisitos mínimos para reservas, transparência e supervisão.

Por que a Circle defende "mesmas regras para mesma atividade"?

Porque hoje, um mesmo stablecoin (como USDC) pode ser tratado como commodity se negociado na Coinbase, como valor mobiliário pela SEC se render juros, e como instrumento de pagamento se usado no PayPal – gerando custos de compliance proibitivos.

Como ficam stablecoins estrangeiros como o EURC da Circle?

O texto prevê "equivalência regulatória": se as regras do país de origem forem consideradas tão rigorosas quanto as americanas, o stablecoin pode operar nos EUA sem necessidade de reestruturação completa.

Esta lei tornará os stablecoins mais seguros que bancos?

Não exatamente. A proposta exige reservas 100% líquidas (o que bancos não fazem), mas sem acesso a redes de segurança como o FDIC. Será um novo modelo: mais transparente que bancos, porém sem seguro-depósito.

Posso emitir meu próprio stablecoin após a lei?

Sim, mas precisará de: 1) Licença federal ou estadual; 2) Reservas auditáveis diariamente; 3) Compliance com AML/KYC. Para pequenos emissores, o custo inicial estimado é de US$2-5 milhões – inviabilizando projetos amadores.

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