Maior refinadora privada da Índia se afasta silenciosamente das compras de petróleo russo em 2025
- Por que a Reliance está abandonando o petróleo russo?
- Quais são os impactos financeiros para a Reliance?
- Como a Índia está se adaptando?
- Há benefícios geopolíticos nessa mudança?
- Perguntas Frequentes
A Reliance Industries, maior refinadora privada da Índia, está reduzindo suas importações de petróleo russo devido às sanções dos EUA, impactando seus lucros e estratégia de negócios. Com contratos bilionários em risco, a empresa busca alternativas caras, enquanto analistas veem uma oportunidade para fortalecer laços comerciais com os Estados Unidos. Este artigo explora os números, os desafios e o futuro do setor de refino indiano.
Por que a Reliance está abandonando o petróleo russo?
A Reliance Industries, gigante indiana do refino, está se afastando do petróleo russo após pressão das sanções dos EUA. Em setembro de 2025, a empresa importava 630 mil barris por dia de empresas como Rosneft e Lukoil, representando um terço do total de importações indianas. Um ano antes, esse número era de 428 mil barris, e há dois anos, o petróleo russo mal aparecia nas estatísticas. Agora, com as sanções do Tesouro americano, a Reliance ficou em silêncio, recusando-se a comentar publicamente. Analistas do BTCC destacam que a mudança forçada pode custar caro: o petróleo russo era comprado com descontos significativos, e substituí-lo por fontes do Oriente Médio ou América do Sul reduzirá as margens de lucro.
Quais são os impactos financeiros para a Reliance?
Pankaj Srivastava, da Rystad Energy, alerta que o petróleo russo representava mais de 50% da "dieta" de crude da Reliance. Sem ele, a empresa enfrentará pressão imediata na rentabilidade. Em dezembro de 2024, a Reliance assinou um contrato de 10 anos com a Rosneft, avaliado em US$ 12-13 bilhões anuais (500 mil barris/dia). Esse acordo agora está em risco. Muyu Xu, da Kpler, prevê "atritos de curto prazo" para encontrar substitutos, já que o petróleo russo (Urals) custa US$ 5-6 a menos por barril que similares do Oriente Médio. Em 2026, a divisão de petroquímicos da Reliance gerou ₹295 bilhões (US$ 3,5 bilhões) de EBITDA, mas a perda do crude barato pode afetar esses números.
Como a Índia está se adaptando?
Vandana Hari, da Vanda Insights, chama a estratégia indiana de "compra oportunista" – focada no preço baixo. Em setembro, a Índia absorveu 38% das exportações russas, atrás apenas da China (47%). Agora, refinarias estão migrando para outras fontes, mas Hari adverte: "A troca pressionará as margens". A Jefferies acredita que o impacto é "administrável", estimando que o petróleo russo contribuía com apenas 2,1% do EBITDA projetado da Reliance para 2027 (₹2,05 trilhões). Com o WTI a US$ 61,83/barril, o choque de preços pode ser menor que o esperado.
Há benefícios geopolíticos nessa mudança?
Trinh Nguyen, economista-chefe da Natixis, vê uma vantagem: a Índia pode reduzir sua dependência de Moscou e melhorar relações com Washington. Em 2024, o governo Trump impôs tarifas de 50% sobre produtos indianos, mas agora, com refinarias estatais e privadas cortando laços com a Rússia, as chances de um acordo comercial favorável com os EUA aumentaram. "O arbitragem do petróleo russo está desaparecendo", diz Nguyen. "A crise energética global arrefeceu, e a Índia tem opções."
Perguntas Frequentes
Qual era o volume de importações da Reliance?
Em setembro de 2025, a Reliance importava 630 mil barris diários de petróleo russo, ante 428 mil em 2024.
Quanto custará a substituição do petróleo russo?
O Urals russo é US$ 5-6 mais barato por barril que equivalentes do Oriente Médio, impactando diretamente as margens.
Como isso afeta as relações Índia-EUA?
O afastamento da Rússia pode facilitar negociações comerciais com os EUA, que criticavam a dependência indiana do petróleo russo.