Coreia do Sul intensifica campanha regulatória e repressão à lavagem de dinheiro no setor de criptomoedas: O que isso significa para o mercado?

A Coreia do Sul está apertando o cerco. O setor de criptomoedas do país, um dos mais vibrantes do mundo, está no centro de uma nova e agressiva ofensiva regulatória. A meta? Combater a lavagem de dinheiro e trazer ordem a um ecossistema que cresceu mais rápido do que a capacidade de supervisão.
O novo panorama regulatório
Autoridades como a Financial Services Commission (FSC) e a Financial Supervisory Service (FSA) não estão brincando em serviço. As exchanges locais agora enfrentam requisitos de conformidade tão rígidos quanto os de bancos tradicionais. A mensagem é clara: adapte-se ou saia do jogo. Para os investidores, isso significa mais verificações de identidade, limites de transação e relatórios detalhados.
O impacto no ecossistema
Esse aperto não é apenas sobre regras. É uma redefinição fundamental. Projetos que dependiam de anonimato ou estruturas opacas estão sendo varridos. Em contrapartida, empresas que investiram em compliance desde o início estão colhendo os frutos, ganhando a confiança tanto dos reguladores quanto do público. A liquidez pode sofrer no curto prazo, mas a legitimidade de longo prazo é o prêmio.
Um mercado mais seguro, mas menos "selvagem"
Para o investidor comum, a era da farra ocidental está acabando. As apostas alavancadas e as transferências instantâneas para carteiras não identificáveis estão com os dias contados. Em troca, o mercado promete se tornar um espaço menos propício a golpes e hacks espetaculares – algo que, convenhamos, os bancos tradicionais vendem como "segurança" há décadas, cobrando taxas generosas pelo serviço.
A repressão sul-coreana é um sinal dos tempos. Ela não busca matar a inovação, mas domesticá-la, trazendo cripto para o rebanho financeiro global. Pode tirar um pouco da emoção, mas também tira muito do risco. No fim, é o preço da maturidade – e, para a indústria, o bilhete para o mainstream.
Milhões de violações encontradas
A agência de combate à lavagem de dinheiro da Coreia do Sul está se preparando para sancionar diversas corretoras de criptomoedas importantes após descobrir extensas falhas nas medidas de segurança contra a lavagem de dinheiro. A Unidade de Inteligência Financeira da Coreia (KoFIU) afirmou ter realizado inspeções presenciais durante 18 meses nas maiores plataformas do país e encontrado milhões de irregularidades.
A Dunamu, operadora da Upbit, enfrenta uma das penalidades mais severas. Em 7 de novembro, foi multada em um valor semdentde US$ 25 milhões, referente a 8,6 milhões de violações das normas de reporte de transações. A KoFIU tambémdent5,3 milhões de falhas nas verificações de diligência prévia do cliente, 3,3 milhões de casos em que as negociações foram permitidas antes da conclusão da verificação e 15 relatórios de atividades suspeitas não contabilizados.
A KoFIU afirmou que outras grandes corretoras registraram defisemelhantes e também podem enfrentar penalidades, visto que o órgão regulador está intensificando a supervisão do setor de ativos virtuais.
Zona cinzenta de inspeção
So-Ye Yoon afirmou que as recentes inspeções em VASPs representam a primeira vez que a KoFIU realizou inspeções in loco em larga escala.
“Essas inspeções seriam rotineiras para instituições financeiras tradicionais, mas os Provedores de Serviços de Ativos Virtuais (VASPs) não são tratados como instituições financeiras tradicionais sob o regime regulatório atual”, disse So-Ye.
Segundo So-Ye Yoon, isso pode sinalizar uma tentativa mais ampla de alinhar as plataformas de negociação de criptomoedas com as obrigações de governança e controle de risco dos bancos e corretoras de valores mobiliários.
brechas nas regras de viagem
A Coreia do Sul também tomou medidas para eliminar o que as autoridades descreveram como uma das brechas mais exploradas em seu sistema. Trata-se de uma falha que permitia que criminosos desmembrassem transferências abaixo de um milhão de won para evitar a dent . O governo afirmou que agora exigirá verificação de dent para todas as transações com criptomoedas, independentemente do valor, acabando efetivamente com o anonimato das microtransferências.
da KoFIU também terão o poder de congelar contas antes da aprovação judicial, quando suspeitarem que os fundos estão ligados a crimes graves. É uma medida que o governo argumenta ser necessária para impedir que dinheiro ilícito desapareça em segundos através das fronteiras.
Como parte da reformulação, a Coreia do Sul planeja bloquear o acesso ao que chama de corretoras de criptomoedas estrangeiras de "alto risco". Em 28 de novembro, o presidente da FSC, Lee Ok-won, afirmou que as regras nacionais têm pouco efeito se os usuários puderem transferir ativos para plataformas que operam fora do alcance regulatório do país.
Órgãos reguladores voltam sua atenção para a autogestão de bens.
O Dr. Deokyoon Ko, CEO da startup de blockchain Nonce Lab, afirmou que a verificação de nomes reais, a Regra de Viagem e o monitoramento 24 horas por dia estão elevando o nível de exigência para entrada no país.
O mais recente ciberataque aumenta a pressão sobre um setor já sob crescente escrutínio. As obrigações de AML (Anti-Money Laundering - Prevenção à Lavagem de Dinheiro) para VASPs (Value Ability Providers - Provedores de Serviços de Ativos Virtuais) tornaram-se significativamente mais rigorosas, a ponto de os custos de conformidade estarem excluindo as corretoras menores, afirmou o Dr. Ko.
Em vez de evitar completamente as criptomoedas, muitos usuários coreanos estão optando pela autocustódia como forma de manter a soberania sobre seus ativos sem ficarem sujeitos às exigências de conformidade centralizadas.
Mas a agência tributária nacional da Coreia planeja realizar buscas domiciliares em busca de usuários suspeitos de ocultar criptoativos offline. As autoridades coreanas estão tratando o armazenamento offline, tradicionalmente considerado "seguro" e livre de apreensões, como um alvo acessível para fiscalização.
A principal reguladora financeira da Coreia do Sul, a FSC, está realizando uma ambiciosa reorganização interna. O plano é remanejar o pessoal e ajustar a estrutura interna para melhorar a eficiência operacional, principalmente no que diz respeito aos provedores de ativos virtuais.
A Comissão de Supervisão Financeira (FSC) é responsável pela estabilidade do mercado, pela promoção da política financeira da Coreia do Sul e dirige o Serviço de Supervisão Financeira (FSS). Em setembro, escapou por pouco da tentativa do governo Lee de consolidar a FSC e o FSS, após críticas à falta de transparência nos mercados de ações coreanos.
Segundo relatos locais, a FSC afirmou que sua carga de trabalho aumentou, enquanto as restrições orçamentárias a impedem de contratar novos funcionários. A revisão, com conclusão prevista para abril do próximo ano, irá reformular sua estrutura e realocar pessoal, numa tentativa de fazer mais com menos.
Mais especificamente, planeja simplificar as operações, transferir responsabilidades e reorganizar os departamentos para melhorar a supervisão.
“A FSC tem cerca de 342 funcionários. É relativamente pequena para uma agência responsável por políticas públicas, e eles também precisam lidar com todas essas questões”, disse So-Ye Yoon, advogada especializada em direito financeiro do escritório de advocacia DentLee, em Seul.
Para Seul, a mensagem é clara: os ativos digitais deixaram de ser apenas um produto financeiro e se tornaram uma questão de segurança nacional que o governo não pode mais deixar desprotegida.
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