Citi desembarca em Riad: Wall Street acelera aposta bilionária na Arábia Saudita

CEOs das maiores instituições financeiras globais fecham acordos históricos enquanto o petrodólar encontra nova morada no deserto.
Estratégia Expansionista
O banco americano inaugura sua sede permanente no coração financeiro saudita, seguindo movimento similar de Goldman Sachs e JPMorgan. Executivos viajam em caravana para Riad buscando fatia dos fundos soberanos que ultrapassam US$900 bilhões.
Geopolítica do Capital
Enquanto o Ocidente debate regulamentações, os saudites cortam burocracia e oferecem incentivos fiscais que fazem até os mais céticos reconsiderarem suas posições. O Vision 2030 transforma o reino no novo playground dos grandes fundos.
Realinhamento Global
Relações que antes dependiam de petróleo agora giram em torno de tecnologia, infraestrutura e - claro - criptomoedas. O fundo soberano PIF já aloca porcentagem significativa em blockchain, ignorando hesitações regulatórias europeias.
Nova Rota da Seda Financeira se consolida enquanto tradicionais centros financeiros ocidentais aprendem que, no capitalismo moderno, até os príncipes preferem liquidez instantânea a protocolos seculares.
Citi se junta à corrida de Wall Street para Riad
A inauguração do Citi acontece dias antes de Fraser chegar a Riad para falar na Future Investment Initiative (FII), mais conhecida como “Davos no Deserto”, um fórum anual de investidores que reúne líderes financeiros globais e o conselho de governo da Arábia Saudita.
Também estarão presentes Jamie Dimon, CEO do JPMorgan Chase, e David Solomon, chefe do Goldman Sachs.
No início deste mês, o JPMorgan obteve sua própria licença de sede regional, enquanto o Morgan Stanley e o BlackRock já garantiram esses tipos de aprovações.
A regulamentação saudita determina que qualquer empresa estrangeira que busquetracgovernamentais deve ter uma sede local, e isso inclui acesso ao poderoso Fundo de Investimento Público, que se tornou um ímã para bancos e investidores internacionais.
A complicada parceria entre EUA e Arábia Saudita é baseada em petróleo e energia
O relacionamento entre os EUA e a Arábia Saudita começou em 1933, formalizado por meio do Acordo de Assistência de Defesa Mútua de 1951. Ele criou uma troca simples: proteção americana para o petróleo saudita.
Ao longo das décadas, os dois países construíram uma das alianças mais duradouras do mundo, apesar das diferenças gritantes entre uma monarquia islâmica absoluta e uma república secular. A parceria se aprofundou após 1945, com Washington fornecendo apoio militar enquanto Riad mantinha o petróleo fluindo em dólares.
Esse entendimento muitas vezes exigia que os EUA ignorassem questões como o wahabismo, os direitos humanos e as alegações de terrorismo de Estado.
A cooperação atingiu seu auge após a invasão soviética do Afeganistão em 1979, quando ambos os lados apoiaram milícias antissoviéticas. A Guerra do Golfo de 1991 solidificou ainda mais a colaboração militar, com a expulsão do Iraque do Kuwait por tropas americanas, sauditas e britânicas.
Ainda assim, surgiram divergências em relação a Israel, ao embargo do petróleo de 1973, à invasão do Iraque em 2003 e às consequências dos ataques de 11 de setembro, quando a maioria dos sequestradores era de nacionalidade saudita. As tensões ressurgiram sob o governo de Barack Obama, antes da visita de Donald Trump a Riad em 2017 reacender o clima político. Mas o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, em 2018, no consulado saudita em Istambul reacendeu a indignação. Investigadores turcos e agências de inteligência dos EUA concluíram que o assassinato foi ordenado pelo príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, gerando sanções contra autoridades sauditas. O Congresso tentou interromper as vendas de armas dos EUA ligadas à guerra do Iêmen, mas o governo Trump bloqueou a medida, protegendo um dos parceiros de defesa mais lucrativos de Washington.
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