Brasil retira R$ 28 milhões em cripto após tensão com Trump – e o mercado reage
O governo brasileiro sacou R$ 28 milhões em fundos de criptomoedas em apenas uma semana. A movimentação coincide com o aumento das tensões diplomáticas com os EUA – porque, claro, quando a geopolítica esquenta, o primeiro instinto é vender ativos descentralizados.
O que está por trás da decisão?
Fontes sugerem que o movimento foi uma resposta direta às declarações inflamadas de Trump sobre políticas comerciais. Mas, como sempre, ninguém confirma oficialmente – porque transparência e cripto ainda são conceitos que brigam na sandbox do mercado financeiro.
E agora?
Enquanto o Real oscila e os grandes players ficam de olho nos próximos capítulos dessa novela, uma coisa é certa: quando os tubarões políticos começam a morder, até Bitcoin vira moeda de troca. Ironia? Não, só mais um dia no cassino de ativos digitais.
A tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos, que se intensificou nas últimas semanas, parece estar se refletindo no mercado de criptomoedas. Isso porque os fundos de cripto negociados em bolsas – que historicamente seguiam a tendência dos fundos estadunidenses – mudaram radicalmente de rumo e agora estão na contramão do movimento global.
Enquanto o mundo registra influxos recordes em fundos digitais, o Brasil aparece como um dos poucos países com saídas significativas, atingindo US$ 28,1 milhões apenas na semana passada — o maior volume dos últimos meses. Os dados são do relatório da CoinShares divulgado nesta segunda-feira (21)
No contexto global, o mercado vive um momento histórico com influxos semanais recordes de US$ 4,39 bilhões, superando o pico de dezembro de 2024. O Ethereum se destaca com US$ 2,12 bilhões em entradas, quase o dobro do recorde anterior.
Os EUA dominam os fluxos, sendo responsáveis por 99% do total com US$ 4,36 bilhões. Ativos alternativos como Solana (US$ 39,97 milhões) e XRP (US$ 36,97 milhões) também apresentaram desempenho positivo.
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Brasil na contramão retira dinheiro de fundos de cripto
Esse cenário de otimismo global contrasta fortemente com a situação brasileira. O país figura ao lado de Alemanha (-US$ 15,5 milhões) e Suécia (-US$ 21,9 milhões) — também alvos da política tarifária de Tump — como um dos poucos países com saídas líquidas.
Os dados coincidem com a escalada de tensões entre Brasil e Estados Unidos. A disputa começou em 9 de julho quando Trump impôs tarifas de 50% sobre exportações brasileiras.
Dessa forma, o governo brasileiro reagiu com a Lei da Reciprocidade, ampliando as incertezas econômicas. A situação se agravou em 18 de julho quando o STF determinou medidas restritivas contra Bolsonaro, levando os EUA a retaliarem com a suspensão de vistos de autoridades brasileiras.
Os US$ 28,1 milhões retirados dos fundos criptos brasileiros na últimas semana mostram como o sentimento negativo cresceu entre os investidores brasileiros na medida que o conflito escalou. Nas duas primeiras semanas de julho, foram retirados US$ 7,5 e U$ 9,1 milhões respectivamente.
Migração de capital
De acordo com os dados, nota-se um fluxo de recursos para outras jurisdições, como EUA e Suíça, que registraram entradas de US$ 4,3 bilhões e US$ 47,3 milhões respectivamente. Isso pode indicar uma mudança de estratégia de investidores buscando exposição em fundos sediados no exterior.
Além disso, a instabilidade política pode estar afastando gestores de fundos locais, criando um clima de desconfiança institucional. Com isso, a possível desvalorização do real frente ao dólar pode pressionar os investidores a resgatarem ativos denominados em reais e expor o seu capital em fundos denominados em dólares.
Enquanto o Brasil enfrenta essa fuga de capitais no setor cripto, outros mercados emergentes continuam atraindo investimentos. Hong Kong, por exemplo, registrou entradas de US$ 14,1 milhões e a Austrália US$ 17,3 milhões.
Se a crise política persistir, o país pode continuar perdendo espaço no mercado institucional de criptomoedas. Um notícia ruim que chega em em um momento em que o mundo acelera seus investimentos no setor.
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